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quarta-feira, 21 de maio de 2014

O Desempenho dos professores na EJA


Atualmente é comum ver adolescentes em idade escolar regular, frequentando as salas de EJA, devido muitas vezes as múltiplas repetências, e em alguns casos por terem ingressado tarde na escola, e para não ficarem misturados ( por serem maiores) com as crianças, são inseridos na EJA.
Quando entramos em uma sala de EJA, podemos perceber uma diversidade de realidades, levando em consideração primeiramente a variedade de faixas etárias, em que se encontram pessoas idosas que nunca tiveram chances de estudar, e estão em busca da sua alfabetização, adolescentes como já mencionado acima com múltiplas repetências ou até mesmo adolescentes que na idade certa de cursar determinada série, não dava valor a mesma, fazendo bagunça e “matando” aula, mas por perceberem a importância dos estudos retornaram e acharam seus lugares garantidos na EJA.
E é pensando nestes casos todos que os professores da EJA devem focar suas aprendizagens, afim de promoverem um ensino significativo para estas pessoas que estão se “dando” uma segunda chance.
“ O grupo de professores- e o professor de cada sala em particular- precisa ter em conta que sua prática pedagógica não pode se esgotar na relação conteúdo-rendimento-indivíduo, que essa prática pode alcançar o desenvolvimento da pessoa integrada e completa, fortalecendo a postura de cada um e a consciência do grupo enquanto cidadãos e priorizando o respeito por si mesmo e pelos outros”( Texto: A escola pública como lócus de formação do jovem e do adulto, pg. 7)
É desmotivador para o aluno ver que seu professor não está exercendo seu papel com prazer, e é a partir disto que muitos alunos evadem, por verem que a escola não atingiu suas expectativas no que se refere a ensino-aprendizagem.
A partir da minha observação pude refletir no quanto a EJA é diferente do que eu pensava, pois não percebi em momento algum a professora incentivar a turma e ensinar com vontade de colher frutos, parecia que tudo era pura e simplesmente para cumprir uma “obrigação”(carga horária). A sala de aula tinha vários perfis, mas cada um no seu espaço sem nenhum momento de interação, para trocas de experiências.
“O convívio entre diferentes faixas etárias, do jovem com o aluno adulto pode ser enriquecedora, se estiverem incluídas as necessidades do aluno jovem: tanto no que diz respeito à maior necessidade de movimentação na sala, quanto a seu ritmo de aprendizagem, priorizando atividades que estimulem parcerias, em lugar de competição com os mais velhos, organizando atividades que promovam a reflexão sobre os valores e as condutas e que propiciem a formação de vínculos positivos e respeito à forma de pensar, agir e sentir do outro.”( Texto: A escola pública como lócus de formação do jovem e do adulto, pg.6)

Os professores precisam conhecer a turma que estão trabalhando, suas dificuldades, para a partir daí fazer um planejamento que contemple ambos, não basta apenas chegar em sala de aula e improvisar o que vai ser trabalhado naquele dia, sem nem ter conhecimento do grau de dificuldade e dúvidas( de falta de compreensão) que poderão surgir, pois
“Aprendizagens na escola- não devem acontecer por acaso, de maneira anarquica, mas sim a partir de atividades planejadas, através de modos de avaliação definidos, em anos e séries estabelecidos.” (SEFFNER, pg.64)
Desta forma, todos os professores devem ir a busca de métodos de ensino contextualizados e planejados, que busquem desenvolver as capacidades dos alunos, que por vezes acabam escondidas nos ensinamentos sem sucessos que alguns professores insistem em transmitir, pois não podemos deixar que pessoas que descobriram ou redescobriram a escola depois de muito tempo, acabem se desmotivando e retornando a uma vida sombria onde tudo era um mistério e desconhecido.

Perfil dos educadores da EJA


Muitos dos educadores que hoje atuam na EJA possuem formação superior, mas, em sua maioria, são habilitados apenas para trabalharem no ensino fundamental e no ensino médio regulares. São poucos os cursos de graduação que oferecem, em sua grade curricular, capacitação para que seus alunos, futuros educadores, preparem-se para trabalhar com educandos que retornam à escola mais tarde para concluir seus estudos.
Segundo o Parecer 11/2000, as instituições que se ocupam da formação de professores são instadas a oferecer habilitação em seus processos seletivos. Para atender a essa finalidade elas deverão buscar os melhores meios para satisfazer os estudantes matriculados. As licenciaturas e outras habilitações ligadas aos profissionais do ensino não podem deixar de considerar, em seus cursos, a realidade da EJA.
O jovem e o adulto que freqüentam a escola carregam consigo uma história de vida e conhecimentos adquiridos fora da educação formal e é em cima desses saberes e vivências que o educador da EJA deverá trabalhar. Esse profissional deverá estar capacitado para conseguir ensinar de forma significativa, sabendo, para isso, realizar a mediação entre o conhecimento que seus alunos trazem das práticas cotidianas e o conteúdo estabelecido pelo currículo da escola. Sendo assim, o professor que trabalha com crianças e adolescentes não poderá trabalhar da mesma forma com jovens e adultos, por isso sua formação deverá ser diferenciada.
Além disso, o educador da EJA atende alunos com diferentes faixas etárias numa mesma sala de aula, ou seja, esse profissional deverá trabalhar de uma forma significativa para todos eles, independente de sua fase de desenvolvimento biológico. Para isso, é necessário que esse educador conheça seus alunos através das trocas de vivências e saberes em sala de aula.
Em muitas das escolas de EJA percebe-se que os educadores trabalham com seus alunos de forma infantilizada, sem objetivo algum nas atividades propostas, como por exemplo, quando disponibilizam desenhos para pintar. Um dos objetivos da EJA é formar cidadãos e, para isso, é preciso que esses jovens e adultos aprendam para participar efetivamente de nossa sociedade, através de um planejamento que vise a formação de pessoas que saibam posicionar-se e pensar de forma crítica sobre a realidade.

Referências Bibliográficas
OTERO, Elisabete de Sousa. ARMELLINI, ALLGAYER, Renita Lourdes. BAQUERO, Rute Vivian Ângelo. Alfabetização de adultos. Porto Alegre, RS; Ed da Universidade/UFRGS, 1993.
http://www.faculdadeexpoente.edu.br/upload/noticiasarquivos/1243985854.PDF - dia27/09/10, às 10h

DE PÉ NO CHÃO TAMBÉM SE APRENDE

Vídeo retirado do Youtube

Principais períodos da EJA no Brasil


A educação de jovens e adultos é uma etapa consideravelmente nova no cenário educacional do Brasil, embora já existissem iniciativas no período colonial e do império. Foi somente após muitos anos, contudo, que surgiu essa modalidade como parte integrante da educação e tendo então apoio governamental.
Nos tempos do Brasil colônia a educação de adultos era voltada para assuntos religiosos sem grande finalidade educacional e no período do império surgiram algumas reformas que priorizavam o ensino noturno para os adultos analfabetos. Durante muito tempo as aulas noturnas eram o único meio de ensino para adultos que quisessem aprender a ler e escrever. Na constituição de 1934 já havia textos que mencionavam a importância de ofertar educação para os adultos, mas é só na década seguinte que isso ocorre de forma concreta.
É com o desenvolvimento industrial que, lentamente, vai surgindo uma maior valorização dessa etapa de ensino tendo diferentes focos: valorizar a língua falada e escrita (com o objetivo de dominar as técnicas de produção), adquirir a leitura e escrita (para ascender socialmente), valorizar a alfabetização de adultos (como um meio de progresso do país e ampliação de pessoas aptas para votar). Por volta dos anos 40, então, é que a educação de adultos se instaura como política educacional e se detecta um alto índice de analfabetismo. Para combater essa situação o governo cria um fundo destinado a alfabetização dos adultos e em 1942 surge o Fundo Nacional de Ensino Primário, além disso, surgem outras iniciativas locais e estaduais.
Após a ditadura Vargas, em 1945, surge a UNESCO e com ela a solicitação para que os adultos analfabetos sejam ensinados. O governo, no ano de 1947, criou a Campanha Nacional de Educação de Adultos que propunha alfabetizar os adultos em três meses e com isso inicia-se a discussão sobre analfabetismo e educação de adultos no país. Tal iniciativa surgiu por dois motivos: pelo fato de se estar vivendo no período pós-guerra (no qual a ONU recomendou os países para terem atenção a educação de adultos) e pelo fim do Estado Novo (período em que o país vivia uma redemocratização e estava carente de mais eleitores). Contudo, essa campanha não obteve os resultados esperados a não ser pelo estado de Pernambuco que tinha Paulo Freire na sua delegação. Ele propunha que educador e educandos se comunicassem, que se adequasse a metodologia para atender as classes populares e com isso logo se tornou referência na alfabetização de adultos. Com a mobilização da sociedade começaram a surgir mais iniciativas públicas para promover a educação para esse público. Assim nos anos 50 existia a “educação libertadora/conscientizadora”, a qual foi proposta por Paulo Freire, e a “educação funcional/profissionalizante”. As ideias dele foram incorporadas pelo país a fora, sua metodologia ganhou notoriedade em âmbito nacional e Freire também foi reconhecido pelo seu trabalho com educação popular e de adultos.
Paulo Freire fora encarregado de planejar um Programa Nacional de Alfabetização de Adultos, mas com o golpe militar de 1964 esse trabalho de alfabetização passou a ser visto como uma ameaça. Então essas experiências foram desaparecendo e desestruturando-se, além disso, o educador foi exilado. Isso, contudo, não impediu que Freire continuasse a difundir, no exterior, sua proposta de alfabetização conscientizadora de adultos. A partir daí os programas de alfabetização passaram a ser assistencialistas e conservadores, deixando para trás aquela proposta problematizadora e conscientizadora que Paulo Freire propusera. Já na década de 70 surge o MOBRAL (Movimento Brasileiro de Alfabetização) com uma proposta bem ao oposto das ideias freireanas e que contou com bastante investimento por parte do governo federal. Esse movimento tinha como objetivo alfabetizar funcionalmente os adultos, ou seja, os educandos adquiriam técnicas elementares de leitura, escrita e cálculo. Surgiu, após um tempo, uma proposta integradora de ensino a qual tinha como objetivo a conclusão do antigo primário. Depois, com a lei 5692/71, instaura-se o Ensino Supletivo e a educação para jovens e adultos ganha, pela primeira vez, um capítulo específico na legislação brasileira.
No ano de 1985 o MOBRAL chega ao fim e surge a Fundação EDUCAR, que ao invés de executar projetos preferiu apoiar as experiências existentes. Foi com a Constituição de 1988, entretanto, que jovens e adultos tiveram o direito garantido à educação básica e gratuita. O ano de 1990 foi o ano internacional da alfabetização, realizou-se uma conferência mundial e nela foi aprovada a Declaração Mundial sobre Educação para Todos, a qual destacava a educação de jovens e adultos. Nesse mesmo ano a Fundação EDUCAR foi extinta e após isso o MEC criou o PNAC (Plano Nacional de Alfabetização e Cidadania) que visava mobilizar a sociedade para a questão da alfabetização de crianças, jovens e adultos através de órgãos do governo e ONGs. Nos anos 90 a EJA tinha como desafio criar uma política e metodologias criativas; já internacionalmente, essa etapa de ensino tornou-se importante para fortalecer a cidadania e a formação cultural. Todavia, em 1996 uma emenda na Constituição fez com que o ensino fundamental não fosse mais obrigatório para jovens e adultos. Com isso o governo não precisava computar as matrículas do supletivo no montante dos alunos do ensino fundamental. A partir de uma mobilização nacional surgiram fóruns estaduais de EJA e mais tarde o MEC criou uma Comissão Nacional de EJA para fortalecer a mobilização.
Atualmente os fóruns são interlocutores da EJA no país além de proporcionarem discussões e ajudarem a aprofundar o que significa a educar jovens e adultos no Brasil de hoje. É preciso conceber esse meio de ensino como multicultural e considerar cada educando em suas particularidades, buscando integrar os conhecimentos prévios com aqueles a serem adquiridos nas aulas. A EJA, portanto, deve ser vista como uma oportunidade para quem não teve acesso anteriormente a educação e nunca pode ser encarada com indiferença ou discriminação. Essa etapa de ensino serve como divisor de águas na vida de muitas pessoas, logo, deve ser bem entendida, estudada, levada a sério e ensinada com uma metodologia própria para que o público que a frequenta possa ter experiências realmente significativas.